Legenda: Orangotango Tapanuli (Prayugo Utomo, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons)
As organizações ambientalistas Mighty Earth e Satya Bumi lançaram no final de outubro, durante a COP17 da CDB (Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica da Organização das Nações Unidas) em Erevan, na Armênia, um relatório de Alerta Vermelho em relação ao orangotango Tapanuli.
O documento “Código Vermelho para o Orangotango Tapanuli” (Code Red for the Tapanuli Orangutan) ressalta os riscos da espécie desaparecer caso um esforço de recuperação imediato, envolvendo todos os atores e agentes responsáveis pela proteção e conservação do seu habitat, não seja colocado em prática. Em outras palavras, as organizações pedem ações coletivas urgentes.
O orangotango Tapanuli foi oficialmente descrito pelos cientistas muito recentemente, em 2017, apesar de já ser observado desde a década de 1930. A espécie ganhou esse nome porque vive na região de Tapanuli, ao sul do Lago Toba, na província de Sumatra do Norte (noroeste da ilha de Sumatra, na Indonésia). O habitat do Tapanuli detém um histórico significativo de impactos de ações de desmatamento e efeitos das mudanças climáticas em curso.
O fato de viver em uma região restrita e já muito ameaçada por ações humanas faz com que o orangotango Tapanuli já tenha “nascido” enfrentando um grave risco de desaparecimento. Estimativas anteriores ao desastre climático de inundações e deslizamentos de terra severos que assolou a região em novembro de 2025 contabilizavam um total de 716 indivíduos na natureza. Após o desastre foi feita uma estimativa modelada de 58 mortes potenciais. Com isso, o relatório estima que apenas 658 indivíduos permanecem nas florestas nos dias atuais.
O caso do orangotango Tapanuli é um teste claro para um dos principais compromissos discutidos pelos países membros na Convenção: o de interromper extinções de espécies ameaçadas causadas pelo ser humano e apoiar a sua recuperação. Descoberto como espécie distinta há menos de uma década, o Tapanuli representa uma linhagem evolutiva única que sobreviveu durante milhões de anos, mas que agora enfrenta um futuro incerto.