Desafiando o conflito para monitorar os chimpanzés mais raros do mundo
postado em 29 set 2026
Legenda: The race to find the rarest chimpanzee - Mongabay video report (April 2026)

Por Leo Plunkett, Tom Richards, Sandy Watt (Mongabay – abril de 2026)

PARQUE NACIONAL GASHAKA GUMTI, Nigéria — Aqui, na maior área de natureza protegida da Nigéria, encontra-se um dos últimos refúgios do chimpanzé-da-nigéria-camarões (Pan troglodytes ellioti), a subespécie de chimpanzé mais rara do mundo. No entanto, há quase uma década, essa população tem vivido praticamente fora da visão de perquisadores e conservacionistas.

Antigo centro líder de pesquisa de campo na África Ocidental, Gashaka entrou em silêncio no final dos anos 2010, quando a insegurança na região forçou os cientistas a se retirarem. “Em 2018, toda a pesquisa havia sido interrompida”, diz o conservacionista Elisha Emmanuel. Quando os pesquisadores foram embora, os guardas-florestais que protegiam o parque também saíram. Sem eles, Gashaka ficou vulnerável a caçadores furtivos e bandidos, e suas estações de pesquisa caíram em ruínas.

Mas alguns assistentes de pesquisa locais se recusaram a partir. “É a nossa floresta”, diz Maigari Amadu, que cresceu na vila vizinha de Gashaka. “Se quiserem me matar, vão me matar, porque os chimpanzés são meus amigos.”

Um ponto de virada ocorreu no final daquele ano, quando o governo nigeriano assinou um acordo de cogestão com a Africa Nature Investors Foundation (ANI), uma organização sem fins lucrativos local. Desde então, mais de 180 guardas-florestais foram contratados e treinados para proteger a floresta. “Isso realmente trouxe segurança ao parque, o que agora nos dá a oportunidade de retomar as pesquisas”, afirma Emmanuel. Para assistentes de campo como Maigari, essa estabilidade significa a chance de voltar ao que melhor sabem fazer: rastrear e monitorar chimpanzés na natureza.

O primeiro passo para o renascimento científico de Gashaka é um ambicioso levantamento com armadilhas fotográficas (câmeras trap). Com um helicóptero recém-adquirido, os pesquisadores instalaram câmeras em todo o parque de 600.000 hectares (1,48 milhão de acres), alcançando bacias florestais remotas, cordilheiras e outros terrenos acidentados que haviam permanecido inacessíveis por anos. Os primeiros resultados são promissores: novos grupos de chimpanzés foram registrados, incluindo vários com filhotes.

O chimpanzé-da-nigéria-camarões continua extremamente raro; estima-se que apenas 3.500 a 9.000 indivíduos sobrevivam em uma distribuição fragmentada que se estende do sudeste da Nigéria ao oeste dos Camarões. Gashaka Gumti pode agora abrigar uma das populações remanescentes mais importantes da subespécie.

Com grupos anteriormente desconhecidos sendo redescobertos e novas bases de pesquisa planejadas, Gashaka está novamente se tornando um centro para a conservação de primatas e um símbolo de resiliência. “A presença de Maigari e dos outros assistentes de campo realmente deu ao parque esperança de voltar a existir”, diz Emmanuel. “Eu os celebro como heróis.”

Veja o vídeo reportagem completo abaixo. 

Fonte: https://news.mongabay.com/video/2026/04/defying-conflict-to-track-the-worlds-rarest-chimpanzees/