Crianças e macacos compartilham compreensão de geometria
postado em 17 ago 2026
Legenda: Scott Hamilton/RIT - CMU website

Um novo estudo da Universidade Carnegie Mellon (EUA), publicado em julho na revista na revista Proceedings of the National Academy of Sciences — Anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS), apresenta as primeiras evidências de que babuínos e macacos rhesus compartilham as mesmas intuições geométricas presentes em crianças pequenas e alguns adultos com menos educação formal.

Este achado contraria pesquisas anteriores e demonstra que o entendimento de geometria não é uma característica exclusivamente humana – além de confirmar capacidades cognitivas de várias espécies de animais, já apresentadas em variados estudos.

“O que nos surpreendeu não foi apenas o fato de os macacos conseguirem realizar a tarefa”, afirma Jessica Cantlon, neurocientista cognitiva do Departamento de Psicologia e do Instituto de Neurociência da Universidade Carnegie Mellon, além de autora sênior do estudo. “Foi o fato de que macacos, crianças e adultos pareciam pensar sobre as relações geométricas fundamentalmente da mesma maneira. Isso sugere que essas intuições fazem parte da arquitetura básica da mente dos primatas.”

Para chegar a essa conclusão, Cantlon e sua equipe ofereceram pedaços de frutas a babuínos-oliva e macacos rhesus em troca de sua participação em um jogo de associação, realizado em uma tela sensível ao toque, com formas geométricas bidimensionais. Os macacos precisavam encontrar a correspondência correta baseando-se exclusivamente na semelhança geométrica.

Os pesquisadores também realizaram o mesmo experimento com crianças e adultos com diferentes experiências educacionais. Ao final, os pesquisadores descobriram que havia uma clara continuidade entre todos os grupos — duas espécies de primatas não humanos, crianças humanas e adultos humanos — no modo como primatas e seres humanos pensavam sobre a geometria básica.

“A intuição geométrica é algo que os seres humanos acabam transformando em matemática e ciência”, explica Cantlon. “Portanto, se quisermos compreender como as crianças aprendem geometria, precisamos entender o que elas já trazem consigo antes do início da instrução formal. Este estudo sugere que as crianças começam com intuições profundas e evolutivamente antigas sobre formas e espaço. A educação pode se apoiar nessas intuições, em vez de tratar a geometria como algo que precisa ser ensinado do zero.”

Fonte: https://www.cmu.edu/dietrich/news/news-stories/2026/primate-portal-geometry-jessica-cantlon.html