Legenda: Pexels / @nadirsyah_sihotang -
Momento de intimidade de uma família de orangotangos na Indonésia
Um novo estudo publicado no final do mês de maio na revista científica Communications Biology demonstrou que orangotangos nas florestas tropicais de Bornéu, na Indonésia, amamentam seus filhotes por uma média de 6,5 anos. Trata-se de um dos períodos de amamentação mais longos já registrados em mamíferos na natureza.
Os cientistas já sabiam que os filhotes de orangotango mamavam por um período consideravelmente maior comparado com outros animais, mas nenhum estudo anterior tinha conseguido quantificar com precisão a ingestão de leite, o que levou a estimativas contraditórias sobre a idade de desmame.
Neste trabalho, a equipe (cientistas malaios e japoneses) passou quase três anos coletando e analisando amostras fecais de orangotangos selvagens de Bornéu, na Área de Conservação do Vale do Danum, em Sabah, Malásia.
Eles utilizaram uma técnica conhecida como proteômica fecal, que identifica proteínas específicas nas fezes. O leite de orangotango contém várias proteínas que não estão presentes em outras fontes de alimento. Desta forma, quando são encontradas nas fezes de um jovem orangotango, isso indica que ele ainda está consumindo leite materno.
Os pesquisadores explicam que os orangotangos apresentam uma história de vida lenta – podem viver cerca de 40 anos nas florestas, com um longo intervalo entre nascimentos e uma das menores taxas de mortalidade infantil já registradas entre primatas. A amamentação é um fator-chave para tal, pois promove a saúde da prole, ao mesmo tempo que aumenta o intervalo entre nascimentos (as fêmeas só voltam a reproduzir após o desmame).
Leia o estudo completo em https://www.nature.com/articles/s42003-026-09968-2