Por Pedro Pozas Terrados (Diretor Executivo do PGS Espanha)
A despedida de uma grande mulher, guardiã eterna dos orangotangos: a mulher que dedicou sua vida à floresta e a seus irmãos alaranjados.
Ontem, dia 24 de março, foi um dia profundamente triste para o mundo da conservação, para a defesa dos grandes símios e para todos aqueles que acreditam em uma humanidade mais justa e compassiva. Faleceu Biruté Galdikas, aos 79 anos — uma das figuras mais importantes na proteção dos orangotangos e Presidenta Honorária do Projeto Grande Símio. No dia 10 de maio, ela completaria 80 anos.
Sua perda deixa um vazio imenso, difícil de descrever em palavras. Apaga-se uma vida entregue sem descanso à floresta, aos seus habitantes e, especialmente, àqueles seres extraordinários que ela chamava, com carinho, de “seus irmãos alaranjados”.
Biruté Galdikas não foi apenas uma cientista. Foi uma mulher corajosa, comprometida até o último dia, que decidiu afastar-se do reconhecimento midiático para permanecer onde mais era necessária: no coração da selva de Bornéu, defendendo os orangotangos da destruição de seu lar, da expansão implacável das plantações de óleo de palma e do esquecimento do mundo.
Biruté escolheu o silêncio da selva, o barro, a chuva, a solidão e a luta diária. Talvez essa seja uma das razões pelas quais na Espanha não foi tão conhecida quanto merecia. Mas seu legado, seu trabalho e sua dedicação a colocam, sem dúvida, entre as maiores figuras da história da conservação. Até seus últimos dias, como ela mesma afirmou em uma entrevista registrada no livro “Hominídeos não humanos”, permaneceu na floresta — trabalhando, protegendo, resistindo. Nunca abandonou sua missão.
Hoje, o mundo perde um ícone. Hoje, os orangotangos perdem uma de suas maiores defensoras. Hoje, nós perdemos uma companheira, uma amiga, uma inspiração.
No Projeto Grande Símio estamos profundamente consternados e de luto por seu falecimento.
Pedro Pozas Terrados, Diretor Executivo do Projeto Grande Símio, declarou:
“Biruté Galdikas foi uma das almas mais puras e comprometidas que conheci. Enquanto muitos apenas falavam, ela agia. Enquanto o mundo desviava o olhar, ela permanecia na selva, defendendo a vida. Não buscou reconhecimento — buscou justiça para os orangotangos. Talvez por isso não tenha sido tão conhecida em nosso país, porque nunca abandonou o campo de luta. Hoje perdemos uma mulher insubstituível, mas seu legado nos obriga a continuar.”
E acrescentou:
“Nos deixa uma grande mulher, uma lutadora incansável, uma defensora dos grandes símios que dedicou sua existência a protegê-los. No Projeto Grande Símio sentimos sua perda como algo profundamente pessoal. Mas também sentimos a responsabilidade de continuar seu caminho, de não desistir, de seguir defendendo nossos irmãos evolutivos com a mesma paixão que ela nos ensinou.”
Neste momento de dor, queremos expressar também que organizações como a Fundação Animals Guardians e o Corredor Biológico Mundial se unem ao pesar, à dor e à tristeza pela perda dessa grande mulher.
Biruté não defendeu apenas os orangotangos. Defendeu a floresta, a vida, o equilíbrio do planeta. Foi uma voz firme contra a destruição, a ganância e a indiferença. Seu livro “Reflexos do Éden” é um de seus grandes legados escritos — um chamado à defesa dos grandes símios, de suas populações e da própria vida.
Hoje sua voz se cala, mas sua mensagem ressoa mais forte do que nunca.
Do Projeto Grande Símio queremos despedir-nos dela como ela merecia: com emoção, respeito e amor.
Querida amiga e companheira, enviamos-te um forte abraço alaranjado, como tanto gostavas de dizer. Obrigado pelo teu exemplo, pela tua luta e pela tua vida dedicada. Que tenhas uma linda viagem rumo ao universo das estrelas. Onde quer que estejas, sabemos que continuarás cuidando deles.
Continuaremos lutando. Pelos orangotangos. Pelos grandes símios. Pela vida. E por uma lei dos grandes símios que signifique o fim de sua catividade.
Esse será o melhor tributo a Biruté Galdikas.