Sobre árvores nos Santuários Brasileiros de Grandes Primatas
postado em 05 dez 2025
Legenda: Fotos: @meire_mi

Uma pergunta que comumente surge em nossos canais é: Por que não há árvores nos Santuários? Já respondemos (e mostramos) que sim, há árvores, porém não em todos os recintos, principalmente por questões de segurança. E aqui explicamos em mais detalhes.

A primeira questão que é necessária ter em mente é a complexidade intrínseca de manter chimpanzés em cativeiro, devido à sua inteligência e, no caso desses indivíduos cativos, ao seu histórico de traumas (às vezes agravado por deficiências físicas) pelos anos de exploração que passaram. Além das interferências em seu comportamento causadas pela convivência com pessoas (humanização).

Dito isso, é imprescindível considerar o perfil individual, analisando as necessidades, preferências e o que melhor se aplica a cada chimpanzé no dia-a-dia em um Santuário.

Uma segunda questão a considerar é o comportamento natural dos chimpanzés na natureza. É sabido que a espécie tem comportamento tanto arborícola como terrestre, dependendo do ambiente na África em que vivem e das adaptações que precisam fazer de acordo com as características do habitat.

Ou seja, embora sejam habilidosos para escalar árvores, fazer ninhos e se alimentar nelas, eles também exploram o solo uma boa parte do tempo, principalmente se vivem em ambientes de savanas ou campos mais abertos.

Assim, a opção de ter árvores nos recintos dos Santuários precisa ser feita, em princípio, caso a caso, a partir sobretudo da observação de comportamento da cada indivíduo.

Outro ponto extremamente importante é a viabilidade da estrutura de uma árvore plantada artificialmente no sentido de “aguentar ser usada” por chimpanzés. Por conta de seu peso e força, a probabilidade da árvore não resistir e se quebrar é grande, o que pode se transformar em riscos de acidentes.

Neste contexto entra o argumento de segurança, porque uma árvore caída ou quebrada pode machucar chimpanzés, quebrar muros ou até ser usada como recurso para escaladas e fugas.