Legenda: O chimpanzé Toti foi um dos chimpanzés observados no estudo.
Um estudo publicado no início desse mês na revista científica “Frontiers in Psychology” sugere que chimpanzés compartilham com os seres humanos o fascínio por cristais. O estudo foi realizado com nove chimpanzés monitorados em um centro de reabilitação na Espanha e mostra que, além de identificar cristais, os chimpanzés expressam claramente interesse em manuseá-los e compará-los.
A ideia geral do estudo é entender o porquê do fascínio ancestral de seres humanos por cristais, a partir da comparação do comportamento de chimpanzés, nossos parentes evolutivos mais próximos, em relação a eles. Evidência científica documentada relata que alguns dos primeiros objetos coletados e guardados, sem nenhuma utilidade evidente, por nossos ancestrais hominínios eram pequenos cristais de quartzo e calcita.
Esse comportamento, datado de 780.000 anos atrás, é interpretado como evidência inicial de pensamento simbólico. De acordo com os pesquisadores, o estudo fez uma abordagem experimental para investigar quais seriam os motivos por trás da fascinação ancestral por cristais.
Uma série de experimentos com chimpanzés enculturados (termo técnico para indivíduos que vivem sob influência humana, ou seja, não são totalmente selvagens) foi projetada com o intuito de identificar quais propriedades físicas dos cristais poderiam ter atraído chimpanzés e hominínios. Os resultados sugerem que chimpanzés podem identificar e distinguir cristais de outros tipos de pedras, e que a transparência e o formato geométrico foram os dois atrativos principais.
Além disso, os cristais provocaram comportamentos exploratórios nos chimpanzés, que se engajavam em ações voluntárias e intencionais para investigar a transparência cristalina e comparar formas.
O estudo completo pode ser acessado gratuitamente em https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2026.1633599/full#sec27